quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Separando Pedaços
Hipnotismo barato,
discurso plagiado
sob formas perfeitas.
Mobiliza percepções,
sutura temporariamente,
agrava a ferida.
Cheira flor,
exalada com doçura,
de longe prende,
de perto é podre.
Do ontem vinga só o sangue,
o presente apático cala o que passou,
memória muda,
fingidora de simpatia.
Resta-lhe a existência.
não há laços,
segurança,
ou poesia.
domingo, 21 de junho de 2009
Sem Dono

O dia úmido,
chora o maltrato,
rega a terra coberta de piche.
Na laje,
choro de crianças,
desgraça de velhos.
Sem roupa ou documento,
o homem se vê talado,
urrando a injustiça maior do mundo.
De pés descalços,
o menino que sobe no barco de isopor,
prancha até o outro lado da rua.
Ratos e cachorros adestrados
convivem juntos a aflição.
Árvore, lixo e céu fazem a paisagem natural,
cheiro de podridão,
o homem-urubu fazendo seu cotidiano.
Quando o biológico chega de alarmar,
a família volta ao colchão
e entope o riacho com o sofá encharcado.
Quem é a vítima?
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Levemente

Caminhos verdes,
Terra nos dedos,
Cabeça vazia de vento.
Purificado o até os fios
As palavras sopram amenas,
A melodia, fleuma.
O que sobra,
Não é mais de necessidade.
O que resta,
Acomoda-se quente.
O arrepiar dos pêlos é freqüente,
As sensações se reinstalam.
Mora junto aquele morno,
Mas é o passado saindo para longe.
De passo a passo,
Ar rarefeito entra gélido pelo nariz,
E sai queimante pelos poros.
Equilíbrio entre corpo e mente,
Sensação de completude abstrata.
Enquanto o mundo enxerga o inverno,
Aqui dentro voam folhas verdes.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Bombeando

Fadiga que reflete nos pulmões,
Ar rarefeito,
Alta altitude interior,
Projeto psicossomático.
Envolve a queda,
O retorno,
O terror,
A suposta tragédia.
Seguido o susto,
Sem piegas
Ou meio tempo,
O semblante ofusca.
Por meio de penumbras,
Segue calada
A fala muda.
Vai em frente via pontes frágeis.
Por menos,
A soma do provável
Caiu sobre a coluna
E raspou as digitais.
Ar rarefeito,
Alta altitude interior,
Projeto psicossomático.
Envolve a queda,
O retorno,
O terror,
A suposta tragédia.
Seguido o susto,
Sem piegas
Ou meio tempo,
O semblante ofusca.
Por meio de penumbras,
Segue calada
A fala muda.
Vai em frente via pontes frágeis.
Por menos,
A soma do provável
Caiu sobre a coluna
E raspou as digitais.
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