domingo, 21 de junho de 2009
Sem Dono
O dia úmido,
chora o maltrato,
rega a terra coberta de piche.
Na laje,
choro de crianças,
desgraça de velhos.
Sem roupa ou documento,
o homem se vê talado,
urrando a injustiça maior do mundo.
De pés descalços,
o menino que sobe no barco de isopor,
prancha até o outro lado da rua.
Ratos e cachorros adestrados
convivem juntos a aflição.
Árvore, lixo e céu fazem a paisagem natural,
cheiro de podridão,
o homem-urubu fazendo seu cotidiano.
Quando o biológico chega de alarmar,
a família volta ao colchão
e entope o riacho com o sofá encharcado.
Quem é a vítima?
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Levemente
Caminhos verdes,
Terra nos dedos,
Cabeça vazia de vento.
Purificado o até os fios
As palavras sopram amenas,
A melodia, fleuma.
O que sobra,
Não é mais de necessidade.
O que resta,
Acomoda-se quente.
O arrepiar dos pêlos é freqüente,
As sensações se reinstalam.
Mora junto aquele morno,
Mas é o passado saindo para longe.
De passo a passo,
Ar rarefeito entra gélido pelo nariz,
E sai queimante pelos poros.
Equilíbrio entre corpo e mente,
Sensação de completude abstrata.
Enquanto o mundo enxerga o inverno,
Aqui dentro voam folhas verdes.
Assinar:
Postagens (Atom)