segunda-feira, 1 de março de 2010

Peso de palavra


Onde estão minhas palavras?
Atrás de olhos encharcados,
De mãos desajeitadas,
Pernas cansadas.

Evaporadas por sussurros,
Sopro sem voz,
Sem força,
Escondidas de tudo.

E por tempos segue sem perceber,
Acumulando-se,
Cheias de vento e letras sem ordem,
Começa a pesar.

Pesa muito.
Pesa tanto.

Nas costas, no peito
Peso maior que eu...

Peso que só cabe fora de mim!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Pensamento de Novo Ano

Banco de Imagem SXC

Ciclo de incertezas, melodrama,
pitada de novela.

Cores novas,
ansiedade,
medo de mim.

Aposta de todas as fichas,
em uma escala,
onde só eu sei onde está o meio tom.

De resto é deixar fluir.
Sem olhar para o lado,
sendo o umbigo o ponto de chegada.

Busca do equilíbrio,
entre o que resta
o que falta. E o que tem que ser.

Sem pestanejar,
levantar os olhos para o céu
e encontrar o início do caminho.

domingo, 20 de setembro de 2009

A Walter Franco


Som
Teste Teste
1,2,3...

Hora de partir.
Adentrar o musical,
abstrair o real mudo
afogado de sensatez.

Seguem as estrofes,
as escalas,
o meio tom.

Surge um agudo triste,
palavras fincas
de rimas desastrosas.

Do outro,
olhar de estranho,
nada se encaixa,
melodia desatenta.

De mim,
poesia de louco,
excêntrico rei,
reinado de poeta maldito.



quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Separando Pedaços


Hipnotismo barato,
discurso plagiado
sob formas perfeitas.

Mobiliza percepções,
sutura temporariamente,
agrava a ferida.

Cheira flor,
exalada com doçura,
de longe prende,
de perto é podre.

Do ontem vinga só o sangue,
o presente apático cala o que passou,
memória muda,
fingidora de simpatia.

Resta-lhe a existência.
não há laços,
segurança,
ou poesia.