quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Saudade alheia



Ao longo desse tempo não soube quem era eu

O que de mim fazia
Vagando desalmado de você
Incompleto
Com pedaços craquelados
Espelho quebrado em cacos de imagem
Refletindo espasmos
Fantasma de mim.

Enfim você chegou...
Cores, cheiros e brisa
Volto a sentir vida em mim
Meu universo se recompondo
Com peças de encaixe volto a fazer sentido
O brilho que você emana me levanta
Me refaz
Me alimenta
Em paz por estar novamente repleta de você.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Pré-adeus

Nina


Miados mudos,
Pernas bambas,
Quem sabe o que será amanhã?

Paira o pensamento altruísta:
É proveniente deixar ser ou permitir ir?

A aflição da não compreensão da dor,
O querer bem,
A sensação de coração atado,
Sentimentos mixados que admitem, parte de mim está desfalecendo...

Agora basta aguardar!

Sabendo que num estalar de dedos,
O que era
Sempre permanecerá em mim,
E o que é
Se foi
E não estará mais entre nós.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Poema triste

SXC Imagens

O que é um poeta sem tristeza?

As palavras só desgrudam se houver ardor.
As aflições escorregam sobre os dedos e,
quando menos se percebe, elas estão deleitadas sobre o papel.

A delicadeza de ser triste atrai o humano.
Encantado com o choro do mundo
fica menos penoso escrever sobre a ínfima existência de si.

Quando a tristeza se põe em outra estação, as palavras se agarram a ela e somem.

Profunda.
Completa.
Ofuscante.

A tristeza carrega a bela morbidez de lembrar-se vivo.
Quando ela vai embora o poeta se vê vazio de angústia
E a angustia nada mais é do que a vontade de continuar poeta.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Enfim...Vida


Num filme de meia tarde,
Pássaros, peixes, pessoas, todos em sintonia.

De mim, só o parecer de um ser completando o ambiente.

Faço parte,
Sou um pedaço dessa nova terra.

Terra que adoto,
já fiz de coração.

Querer bem,
Querer por tempos, luas e chuvas.

Ar de beleza,
Beleza de estar no lugar certo,
Na hora certa,
Com a pessoa certa.

Minutos a fio

By Me

Essas folhas de vento,
Deleitam-se sobre o papel como veludo.

Sussurro de amenidades,
Minutos encantadores.

Em casa,
Na calçada ao lado,
Tenho a natureza agradecendo por existir
E eu agradecendo por fazer parte de poucas migalhas de sua existência.

domingo, 25 de setembro de 2011

Surto

SXC imagens

Está quase próximo.
Momento de percepções prejudicadas,
reações adversas.

Segurança invisível,
chão de areia,
teto movediço.

Já era tudo previsto.
Premeditado.
Acompanhamento cabal.

Mas quando o fato bate a porta,
o antevisto se mostra frágil.
O novo causa reações físicas.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Poema de parede

SXC banco de imagens

Li na parede o mesmo escrito,
poesia de todo dia,
releitura automática dos olhos.

Uns dias a primeira estrofe é digerida,
em outros, as palavras se devoram.
Hoje tudo fez sentido.

Paixão colada em forma de adesivo,
navega entre mares,
propaga como praga.

Dor de amor que desespera,
Entre as letras esconde lágrimas,
De dentro do homem para a cola do muro.

Texto de rotina penosa,
Quem o lê não ouve sua lamúria,
Enxerga fosco o que hoje vejo translucido.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Puro

Banco de Imagem SXC
Leve,
Cheio de si.

Certeza,
Seus olhos.

Inteiro,
Meu sorriso.

Seu,
Sou.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Fato e ficção

Banco de Imagem SXC

Não resta poeira.
De trás da mobília, por cima das fotos,
Mil anos do mesmo novo.

Mudanças estáticas,
Ansiedade prevista,
Reprise das cópias.

Quando soltam-se as letras engavetadas,
E as bocas declamam frases de galante,
Murcha-se mais um broto de mim.

Porém, anônimo se ascende um ponto com jeito de fim.
Inventa trejeitos do que ainda há de ser,
Brilha crescente, com o alvo longe, porém firme de si.



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Bicho Urbano

Imagem por Breno Mendonça

Falamos do homem.
Da sua necessidade íntima de fuga do caos.

A cidade impõe seu ritmo.
Preso, o homem se torna apático a velocidade do tempo.
O dia traz segundos corridos de uma rotina frenética e automática.
A noite, assaltada, alimenta a tão angustiante insônia.

Surge a música para resgatar o espírito que ainda pode ser indomável,
A natureza é o lugar de completude.

Simplicidade no estilo de viver,
Puro ar ao respirar sentimentos desordenados,
Singeleza para retirar as pedras do caminho.

A cidade e o campo fazem parte do mesmo homem.
Duas metades que se encaixam e se corroem.
Duas poesias contraditórias e complementares
.


Poema de introdução do TCC de Marcos Bonfim e Mariana Bolognese (criado pelos mesmos)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Desbloqueando

SXC banco imagens
De volta à página branca.
Apagada de letras,
Sem forma,
Aguardando disposição cerebral.

Difícil sair às migalhas,
Bloqueio poético,
Muro que cega inspiração óbvia.

Ânsia do intocável.
Saudosa sensação de passado recente,
De futuro presente,
Paralisia de interpretações.

Miscelânea de tentações,
Sem foco,
Sem rumo,
O caminho traçado começa com o ponto final.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ontem a noite

SXC Banco de imagem

Nem choro.
Nem vela.

Lágrimas de qualquer dor.
Sem Nome,
Causa,
Desespero.

Água para embebedar o travesseiro,
Acalorar o relento.

Sentidos descentrados,
Corpo acolhido
espreitando afago.

A lágrima corre por que tem que sair.
Corre para fugir de mim...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

No Ônibus

SXC Banco de Imagem

Balanço,
Mãos suadas abraçando a barra.
Breque,
Pés desgrudados do chão.

Equilíbrio,
Quando param as rodas,
Retorna.

Na cidade,
Pessoas opacas.
Na janela,
Riscos transparentes.

Milhares de dedos,
de fios de cabelo,
digitais anônimas.

Entrando,
Saindo.
Chegando,
Partindo.

Mesma linha,
Vários destinos.

domingo, 16 de maio de 2010

Enxaqueca


Olhos caídos
Murchos de sentimentos.
Sem o brilho de ontem,
Fogem da luz.

A pílula desce a garganta,
Desajeitada.
O efeito desvia a atenção,
Mas a cabeça pulsa.

Quando se juntam as pálpebras,
A concentração aumenta.
A respiração ofega,
A inquietude volta.

O escuro.
O silencio.
Ao mesmo tempo acalma.
Ao mesmo tempo desespera.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Tempo de Chuva

SXC Banco de imagem

Chuvisco em dia nublado,
Guarda-chuvas se encostam,
Olhos ficam mais distantes.

Poças ensopando o que já está molhado,
Mãos, pés, cabeça, gélidas.
O pensamento ficou debaixo do cobertor.

As palavras soam desnecessárias,
Quase insultos,
Silêncio é o que permeia e o que importa.

O tempo corre lento,
A garoa infinita,
Hora de ir buscar o pensamento.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Peso de palavra


Onde estão minhas palavras?
Atrás de olhos encharcados,
De mãos desajeitadas,
Pernas cansadas.

Evaporadas por sussurros,
Sopro sem voz,
Sem força,
Escondidas de tudo.

E por tempos segue sem perceber,
Acumulando-se,
Cheias de vento e letras sem ordem,
Começa a pesar.

Pesa muito.
Pesa tanto.

Nas costas, no peito
Peso maior que eu...

Peso que só cabe fora de mim!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Pensamento de Novo Ano

Banco de Imagem SXC

Ciclo de incertezas, melodrama,
pitada de novela.

Cores novas,
ansiedade,
medo de mim.

Aposta de todas as fichas,
em uma escala,
onde só eu sei onde está o meio tom.

De resto é deixar fluir.
Sem olhar para o lado,
sendo o umbigo o ponto de chegada.

Busca do equilíbrio,
entre o que resta
o que falta. E o que tem que ser.

Sem pestanejar,
levantar os olhos para o céu
e encontrar o início do caminho.

domingo, 20 de setembro de 2009

A Walter Franco


Som
Teste Teste
1,2,3...

Hora de partir.
Adentrar o musical,
abstrair o real mudo
afogado de sensatez.

Seguem as estrofes,
as escalas,
o meio tom.

Surge um agudo triste,
palavras fincas
de rimas desastrosas.

Do outro,
olhar de estranho,
nada se encaixa,
melodia desatenta.

De mim,
poesia de louco,
excêntrico rei,
reinado de poeta maldito.



quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Separando Pedaços


Hipnotismo barato,
discurso plagiado
sob formas perfeitas.

Mobiliza percepções,
sutura temporariamente,
agrava a ferida.

Cheira flor,
exalada com doçura,
de longe prende,
de perto é podre.

Do ontem vinga só o sangue,
o presente apático cala o que passou,
memória muda,
fingidora de simpatia.

Resta-lhe a existência.
não há laços,
segurança,
ou poesia.