segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Tempo Tira


Sem tempo de ser nada
Passo horas sem saber quantos minutos faltam
para acabar minha preocupação.


Por vezes caio na tentação de tentar entender

o que é que tanto demora o tempo,
que não
larga o pensar nem por um instante.

Sigo sobre os segundos assíduos de pressa,

e sem parar,
passo milênios a fio buscando o caminho certo

para não errar o passo e ter de voltar tudo
em um tempo que não tem volta.


Quando me busco ao redor e escuto o relógio correndo,

Não sei se paro e olho

Não sei se sigo e esqueço.


No meio de todo esse vazio temporal,

a ilusão fica a parte do que me presta,

tirando sonhos, tirando céus.


O que vale é o tempo que não me sai dos pés.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Alívio Vazio



É sentindo nada que se descobre o por quê.
É com a mente oca que encontra o ideal

de que o bom é ser cheio de mundo.


É caminhando sem rumo
que se vê o destino
certo ou errado,
qualquer um,
apenas aquele que precisa ser.

Sem voz de conselho, perco mil vezes

E acredito estar certa.


Sem disposição de encontrar nada além do bonito,

quando me bate a porta o incomodo

largo os olhos e permito-me esvaziar.


O Eu comigo talvez

Quase encontrando um ponto final.

Para tentar haver um novo meio
ou uma continuação tão permitida quanto

minha ânsia por ser grande
.

E o que dizer sobre o que não quero?

Abstenho-me do cansaço da tristeza

e corro para a percepção do que não me comove.


Perto do que não foi,
tenho a sensação de simplesmente ser.

Viajo nessa poesia de muitos quereres,

e sem adivinhar o percurso,

fecho os olhos e agradeço.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Anasalada


Parece chafariz quando não se suporta em si
tem vista de chamariz quando não parece relutar.
É vital,
e fatal.

Respiração ofegante quando se deita,
alívio no estar em pé,
quase devoção por voltar ao natural
e quando menos se espera,
lá está o empecilho segurando o ar.

Vermelho para os não saudáveis,
lembranças de um minuto sem respirar.
E como ciclos, só se nota sua existência e importância
quando afinal, não se pode saber quem é o que
dentro de partes que não se enxergam .

Paralisado por um impulso externo,
esse religar com o odor
parece reanimar todos os outros sentidos,
e com força total, por segundos cheirosos,
sente-se uma pseudo explosão tântrica
que capta até o mais absoluto do instante.

E fim...
tudo voltou para o antes.
Após um espasmo de consciência nasal,
tudo parece como água e
no meu mundo inodoro,
espremo o resto para apalpar o fedor.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Nada é Muito


Nada me sai,
Nem sequer um assobio silencioso pra disfarçar
Nem uma palavra muda pra aquecer

Nada me escapa
Nem eu, nem você, nem qualquer vulto
que tente se esconder com medo do meu julgar incoerente

É tudo pesado, quase não consigo carregar
Meus ombros estão curvados
e mais consigo catar temores do que soltar desilusões

Uma névoa de calmaria rodeia meu estar
E com a mente vazia, sem uma emoção acesa
caminho para casa e continuo escutando os ecos do mundo

Mais fácil assim nesses tempos de insensatez
seguir sem acreditar nas peripécias da mente
pois nem ela sabe como me guiar

Do lado de fora parece tudo mais sólido
Mais palpável de se deixar levar
Vou buscar a música pra me esquecer

Vou viver o mundo pra não parar de andar...